quinta-feira, 29 de março de 2012

Caboclo Boiadeiro


São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda.

Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta.

Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins.

O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre tocando seu berrante para guiar o seu gado. Normalmente, eles fazem duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino mímico, lidando bravamente com os bois.

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo e cigarro de palha.

No Terreiro os Boiadeiros vêm “descendo em seus aparelhos” como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração.

Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência.Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus.

Quando o médium é mulher, freqüentemente, a entidade pede para que seja colocado um pano de cor, bem apertado, cobrindo o formato dos seios. Estes panos acabam, por vezes, como um identificador da entidade, e até da sua linha mais forte de atuação, pela sua cor ou composição de cores.

Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos.

Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, etc …

Sua saudação: “Getruá Boiadeiro”, “Xetro Marrumbaxêtro”

Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai.

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa.

É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações.

Sofreram preconceitos, como os “sem raça”, sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas.

Da mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.

O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro – habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens.

Enquanto os “caboclos índios” são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores.

Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).

Sobre Nossos Caboclos Boiadeiros

Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. Os Boiadeiros também são conhecidos como “Encantados”,pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em entidades especiais.

Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham muito próximos aos Exus.

Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade.

Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos.  Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com  a prática da magia na terra.

Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos).

Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.

Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros ”e no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus.

Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas.  São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium que ele goste.  “Gostar” para um boiadeiro, é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”.  Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.

Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles.

Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros.  Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo:  Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc…

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

 Getruá Boiadeiro! Salve!


Fonte: Internet

quarta-feira, 28 de março de 2012

Como Reconhecer uma Casa de Umbanda?


Podemos ter a Umbanda como a “Manifestação do espírito para a prática da caridade pura, e em todas as suas formas”, assim como disse o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Portanto, por essa definição visualizamos o verdadeiro sentido dessa religião.
As Casas, Tenda, Templos, Centros, Terreiros que tem a pura essência de Umbanda são aqueles:
· Onde se fala em Deus;

· Onde se prega a palavra e os ensinamentos de Jesus Cristo;

· Onde se fala da Filosofia e Doutrina Espírita ditada por Allan Kardec;

· Onde se pratica a Caridade; 
· Onde se dá valor a Simplicidade e Humildade;

· Onde não há cobrança, pois espíritos não precisam de dinheiro ou barganha; 

· Onde não há matança (corte) de animais, pois matar animais, que são filhos de Deus, não é fazer caridade e, matar um animal, perante Deus, é como matar qualquer ser humano;
· Onde se prega a Fé;

· Onde se prega o Amor;

· Onde se prega o Conhecimento;

· Onde se prega a Justiça;

· Onde se prega a Lei;

· Onde se prega a Evolução;

· Onde se prega a Vida.
Locais onde não se fala em Deus, Kardec, Jesus, onde há cobrança e matança (corte) de animais e onde são feitas coisas sem devido conhecimento, através da superstição, colocando o medo nas pessoas que freqüentam, esses locais não podem ser considerados detentores da Essência de Umbanda e devemos alertar para a sua periculosidade espiritual. Esses locais por terem baixo teor vibracional, tendem a ser freqüentados por pessoas e espíritos de baixa moral (já que semelhante atrai semelhante), devem ser evitados, com o risco de se ter, através das leis espirituais da “ação e reação” e do “Karma”, sérios danos às pessoas, não só no aspecto Financeiro, como Moral e Espiritual. Por isso... Cuidado! Estude, Conheça, Pesquise, se Informe...
  
Umbanda é Caridade, Umbanda é Paz, Umbanda é Amor!
Paz e Luz a todos os Umbandistas! Saravá!


* Estou muito longe de ser o dono da Verdade, e não quero ditar regras pra ninguém... mas continuo defendendo a Essência de nossa Querida, Amada e Sagrada Umbanda... Viva Umbanda!!!


Por Denis Sant'Ana.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Para que serve a Umbanda? Para que serve o Umbandista?

Para que serve a Umbanda? Para que serve o umbandista?


Algumas vezes já estive por aqui escrevendo sobre Umbanda. Como se escreve sobre Umbanda, não? Como se debate a Umbanda, como se diversifica a Umbanda, como se entrecruza e astraliza a Umbanda...
Mas, já paramos para pensar nos adeptos, frequentadores e fiéis? O que pensam ser a Umbanda? Eu, como umbandista praticante me vejo plenamente envolvido com minha religião, pronto para defende-la com unhas e dentes dos ataques preconceituosos de outras ditas religiões e de pseudos pesquisadores antropológicos que só querem enfraldar mais e mais suas teses, sem ter um mínimo de noção espiritual da mesma. Diga-se de passagem, essa defesa de unhas e dentes  não adensa tanto a vibratória a ponto de partirmos para confronto físico ou de linguagem xula, mas sim com a propriedade que o estudo da minha religião me deu, onde podemos, embasados numa fé racional, debatê-la sem perdermos o rebolado.
Mas, o mais complicado é lidarmos com nossos irmãos de fé. A Umbanda não tem uma unificação... Graças a Deus, pois o que apareceriam de candidatos ao papado na Umbanda seria sem fim.
Mas, por conta disso, há um bel prazer em sua prática que foge completamente a espinha dorsal colocada como pré-requisito pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas.
Essa espinha dorsal tem apenas 5 vértebras:
 . Vestir o branco → Vemos terreiros que mais se parecem com os antigos desfiles carnavalescos no Hotel Glória, onde Clóvis Bornay e Mauro Rosa conquistaram notoriedade nas festas do Momo, com suas criações de Libélula Ensandecidos no Alvorecer ou Pierrot Deslumbrado no Arco Íris de Isis...
. Usar os elementos da Natureza → É verdade, usam-se todos os elementos da Natureza possível, mas, atuando na Natureza “dificilmente” se encontra o bom senso que nos diz para não compactuarmos para a destruição da Natureza, emporcalhando todas as ruas, praias, matas e até portas de cemitérios que, já não basta a “sombriedade” local, o povo ainda tem que conviver com pipocas e afins. Penso, como também penso referente a mim, como deve ser desagradável para um católico, budista ou judeu ter que desviar de padês monumentais nas esquinas de nossa cidade.
. Não cobrar → Faz-me rir... Pois o que mais se vê por conta disso é cobrança... E tem lugares que dizem “não cobramos consultas”, mas na hora da dita consulta o “Guia” ou Pai/Mãe de Santo aparece com uma lista de trabalho homérica, cobrando, não pela consulta, mas pela feitura do tal trabalho e... Pasmem... Muitos ainda cobram o “chão” do lugar para o trabalho. É, sublocam a Casa de Deus... Isso se Ele não se mudou, ao ver o que fizeram com seu “imóvel”. Já dizia Jesus: “Vendilhões do Templo!” Isso sem contar sobre os “Ogãs Profissionais” que cobram para “baterem” tambor em determinadas casas que, coitadas, em véspera de uma Festa importante, gostariam de ter um Ogã em sua corrente para dar mais vibração e beleza ao ritual programado. Parece que o sujeito tá cobrando cachê: “Minha apresentação é tanto...”. Pior ainda é o nome que dão a isso: salva. Salva quem? Salve-nos, Senhor!
. Não matar → Pois é... Na véspera da Festa de Exu do Cruzeiro da Luz, estava eu descendo a Grajaú-Jacarepaguá e desconfiei que havia no seu final, já em Jacarepaguá, uma granja... Mas, descendo devagar, pude perceber que as 15 a 20 supostas galinhas que estava vendo, jaziam mortinhas dentro de um big alguidar de barro, com uma purinha ou uma cidra ao lado. É, menos um punhado de galinha no mundo... Fora os bodes, cabritos, pombos e afins. Mas isso não é matança não... O nome é sacrifício... Rs... Vai rindo, sacrifício? Jesus quer Misericórdia! E se é para matar alguma coisa, que seja, como o Apóstolo Paulo nos ensina: “matar o homem velho...”, oferendando-o ao Cristo para que, imolados pelo seu Infinito Amor,“...renasçamos homens novos”! Se essa fosse a matança seria maravilhoso... Pois mataríamos, sem dó nem piedade, todas as nossas iniquidades, mazelas, mal querências, mas essas, longe ainda da extinção, preservamos no cativeiro do coração e mente, procurando criá-las “in vitro”, perpetuando as espécies para que cada vez mais nos aprisionemos à roda das encarnações.
 . Evangelizar → Nossa! Esse é o desafio primevo de todo aquele que, mesmo que não totalmente desperto, já foi tocado pelas valorosas letras do legado do Cristo. Talvez seja esse o maior embate... De todas as religiões!... E o motivo único para que estas existam, pois evangelizar é religar o homem a Deus. Portanto, a religação se dá por meio da auto-evangelização e, por conseguinte, da evangelização. Por que auto-evangelização? Por que... Quem somos nós se não nos evangelizarmos? Apenas "macumbeiros". Apenas magistas de 5ª categoria. Apenas fantasistas sem lei e sem  juízo algum, radicados na senda do fanatismo religioso e na crendice mística dos fugidios da verdade que liberta. Daí a necessidade emergente de nos evangelizarmos... De criarmos em nós a nuance do amor notável de Deus, que se perdeu no elo do mundo, pois seduzidos pela bola azul esquecemos que quem a criou, a fez por um ato de amor único e restabelecedor deste amor nos corações dos habitantes dessa bola azul. E digo mais... Que espécie de médiuns somos ou seremos sem o evengelho? “Cegos guiando cegos”. Marionetes (não dos bons espíritos) fazendo receitas mágicas e indicando trabalhos e oferendas vãs, pois sem conteúdo algum, tornando-se atos mecanizados no afã de resolução de problemas. Problemas externos, da vida, do mundo, da matéria. Pois não evangelizado jamais conseguirá mergulhar na alma daquele que o busca e oferecer-lhe ajuda verdadeira. Dará paliativos apenas, criando um elo vicioso, onde quando terminada a validade da magia o “cliente” retorna para a renovação de seus “votos petitórios”. Como evangelizar se não conhecemos Jesus ainda? Se não nos tornamos íntimos do Mestre dos Mestres e permitimos que Ele faça, primeiro em nós, o milagre do retorno à origem genética divina, expurgando, gradativamente, o gene adquirido pelo mundo? É um trabalho diário que não se dá apenas nos dias de atividades dos Templos. É cotidiano. Sendo feita essa reflexão que deve sair do papel para a vida, vem o serviço desinteressado da evangelização. Aí sim, podemos evangelizar, apresentar Jesus às pessoas, citar suas palavras e convidarmos a seguirem, junto conosco, as suas pegadas, mediante seus ensinamentos eternos. Paulo diz que “evangelizar é preciso, quer desagrade, quer desagrade...”.
 Ué? Quer desagrade? Sim, infelizmente é verdade, pois esta, a verdade, ao mesmo tempo que liberta, faz doer. Dói porque somos fugidios, nos acovardamos, nos tornamos procrastinadores (hahaha...adorei essa! Adorei as Almas!), vendo o bem que queremos (mas nos julgamos diminutos) e fazemos o mal que não queremos (com a boca cheia d’água!). E quem gosta de ouvir da boca de outro que ainda é cheio de mazelas e totalmente imperfeito, sem pieguismo? Pois é... Mas, diz um grande amigo espiritual que a verdade dói apenas uma vez... Acabada a dor, estamos libertos. Enquanto que, fugindo da verdade, optando pela mentira, estamos fugindo dessa dor do parto libertador. Mal sabemos que fugir é uma dor, e muito mais dores e sofrimentos virão pela frente, pois a mentira e a fuga se tornam vício frenético...Ou seja, vamos ao Cristo:“conhecereis a Verdade e esta vos libertará”!
É triste vermos em Centros onde o propósito é levar as pessoas a essa libertação, vermos as mesmas pessoas tentando barganhar essa libertação, fugindo, se esgueirando, desviando-se das sementes do evangélico como um Matrix sombrio... É lamentável vermos um Guia lançar suas sementes e o solo que se encontra a sua frente rachar-se, como terra árida sob o sol, dizendo: “o senhor poderia ser mais sucinto, dizer logo o meu problema...e resolve-lo!”. Nem imagino o que o Guia deva sentir e pensar, pois meus degraus ainda não chegaram aos deles, uma vez que eu bem sei, no afã da emoção de uma partida de futebol eu “gostaria” de dizer... Aliás, imagino sim... Rs... Me lembrei de Jesus pregado à cruz: “Pai, perdoa-os...eles não sabem o que fazem”!... É o que fazem, o que dizem, o que pensam, o que comem,...
Contudo, diante desse pequenino relato, me coloco também reflexivo, pois esse exemplo vem de um “adepto” dos terreiros espalhados no “por aí” de meu Deus... Mas e o que pensam os que se encontram dentro desses mesmos terreiros, como trabalhadores desses terreiros? Será que, ouvindo isso, se chocarão e entrarão em prece para que a pessoa desperte para a realidade? Ou será que, vendo essa pressão do “resolve meu caso”, não se deixa levar pela falta de senso comum e se permite a permitir que essa pessoa ouça o que ela quer? Daí, surgem as invencionices e as adivinhações baratas... E joga-se um mediunato fora.
Então, voltando ao início, enquanto os próprios umbandistas crerem que a religião professada é uma quitanda de quebra galhos, nós nunca conseguiremos sermos olhados como religião e religiosos. Vamos ouvir: “O quê, sacerdote umbandista? O que é isso? Só conheço Pai e Mãe de Santo!... lá no teu centro é assim”? Isso quando não nos chamam de seita... Ou palavrinha que me entristece, pois dá uma sensação de bruxaria, de feitiçaria, de fundo de porão, cozinhando asa de morcego e orelha de rato.
É como diz um Guia Espiritual do Templo: “Enquanto lutamos tanto para elevar o tônus vibratório – evangelizar e libertar – há um mercado paralelo dentro da religião que insiste em que cresçamos como rabo de cavalo... Para baixo”!
 E baseado nesse mercado paralelo penso, pois sou produto do meio (a diferença é buscarmos nos situar no meio certo desse meio), qual o motivo de sua existência? Preguiça? Vaidades? “Obtusismo”... Rs? Carências? Falta de estudo, doutrina? Ou será que também veem a Umbanda como uma enorme quitanda, pronta para preencher as dispensas quando falta açúcar, café ou leite?... Daí, vamos à quitanda! Será que pensam que os Mentores são os chamados “santos” que damos de comer e pronto, eles ou resolvem nossos problemas ou se acalmam, nessa ininterrupta barganha entre o mau e o mal.
Toda a beleza da Umbanda cai por terra quando vemos desorganização. Quando vemos indisciplina, quando vemos falta de estudo e doutrina. Quando vemos falta de religiosidade. A Umbanda é religião e não um mercado persa! A Umbanda é o Conjunto das Leis de Deus e não um conjunto de pagode! A Umbanda, como disse o Caboclo das 7 Encruzilhadas, “é a manifestação do espírito para a caridade” e não para trazer a pessoa amada em 1 hora e meia, muito menos dar emprego pra todo mundo.
Ouvirmos pessoas dizerem que vão à missa e a centros kardecistas para ouvirem palestras e se postam diante do guia para pedir, entristece a alma. Pensamos assim: “pobre pessoa perturbada...”! Desculpem-me, mas perturbados somos nós! Perturbados e comprometidos até os dentes perispirituais porque oferecemos, seja quem foi ou onde foi, em algum momento, um motivo para que essas pessoas pensassem que a Umbanda presta é para isso: resolução de problemas ou vermos se se tem “algo feito” ou obsessor. Talvez por isso que ouçamos pessoas dizerem para um Exu, que está ali exaustivamente tentando evangelizar a pessoa: “se o sr. me ajudar, vou rezar pro sr. ter luz e deixar de ser Exu”! ... O melhor de tudo foi o Exu rir e na Gira seguinte ele dizer para a mesma pessoa que a reza dela estava fraca, pois ele “continuava Exu”... Só fazendo graça mesmo, pois o que de graça recebemos, de graça, com gosto e amor devemos dar!
 A culpa é desses fiéis, desses neófitos da religação com Deus? Ou de quem os ensinou ou os viciou a serem assim, a procurarem as Casas Umbandistas atrás desses tipos de conchavo? E quem lhes viciou são que tipo de pessoas? São adeptos de quais religiões? Óbvio que aprenderam isso dentro dos nossos terreiros! E se aprenderam isso em nossos terreiros, pertencem aos nossos terreiros, são umbandistas (embora quando pense nisso, logo me lembre do Capitão Nascimento, de Tropa de Elite: “Nunca serão!”)! Mas, para fazerem isso, alguém, um dia, abriu um precedente, um favorecimento, uma permissividade, um clientelismo.
A Umbanda evangeliza, liberta, desinstala da ignorância, descongela as mentes submersas na obscuridade da ignorância,... Mas falta o umbandista “praticante” ter idéia do que é isso. Falta ele acreditar que a religião dele é uma religião e que ele não faz obrigação ou cumpre carma. Falta ele saber que tudo que se faz dentro de um Templo Umbandista é um ato de amor e, por conta disso, ele precisa estar amando e se amando, como Jesus nos ama... Óbvio, guardada as devidas proporções... Rs... Mas Ele é o modelo a ser seguido, por isso, proporções uma vírgula! Busquemos sim, viver no amor de Jesus e amar como Ele amaria. Se não dá... Tá distante de compreendê-lo, Paulo tá aí dizendo: “sede meus imitadores como eu sou do Cristo”.
Mas Paulo é Guia? Não é Caboclo, Preto Velho, Exu ou Criança, diria o “aficcionado” pela letra que mata, aproveitando também para matar o espírito que vivifica.
É, umbandistas, se ainda pensamos que nossos Caboclos são Pataxós, Xavantes ou Cherokees; ou que Pai Joaquim era aparentado do Zumbi dos Palmares; Malandrinho mora na Lapa; ou que Pedrinho da Praia é uma criança por que morreu afogado numa Colônia de Férias na praia do Leme... Estamos muito bem servidos de fantasias, superstições e crendices! E pior... O que ofereceremos para as pessoas que batem às nossas portas? Mentiras, vaidades e grilhões?
Vale lembrar de Jesus... Sempre: “a quem muito é dado, muito será cobrado”! ou seja, seremos chamados para prestarmos conta do que ensinamos, das libertações que auxiliamos Jesus a fazer, enfim... De toda a nossa colheita, afinal a semeadura é livre, mas a colheita é e será sempre obrigatória.
Ah, como seria bom se cada um de nós umbandistas conseguíssemos contrariar a estatística que André Luiz fez um dia, em sua literatura sobre os médiuns em geral, dizendo que o Umbral está repleto de médiuns fracassados! Fracassados por violarem seus compromissos de levar à humanidade a palavra libertadora e rediviva de Jesus.
Não, infelizmente ficam sedimentando na cabeça das pessoas que devemos morar em Nosso Lar, Lar de Celina, Aruanda e etc... Quando essas “localidades” devem ser, no peito do espírito arfante de crescer e ser liberto, locais de passagem apenas. Dure essa passagem o tempo que precisar, mas que não ousemos pensar nelas como tenda permanente. Seria pensar pequeno. E pequeno é tudo que Deus não é.
Aí, como o Apóstolo dos Gentios em sua Epístola a Timóteo, poderemos dizer aquelas tão lindas palavras, um cântico do dever cumprido e a Graça alcançada por essa Graça ter nos bastado ao longo da vida, quando morremos homens velhos e renascemos homens novos...
 ... “Combati o bom combate, encerrei minha carreira, guardei a fé... Só me resta agora receber a coroa da justiça! Do justo juiz, o Senhor Jesus”!
Ah, como quero poder dizer isso um dia... Eu, um foguinho...
 Saravá, Jesus!
Pai Julio (Pai Pequeno do T.E. Cruzeiro da Luz )

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Carta à Comissão de Combate a Intolerância Religiosa



Prezados,
Meu nome é Roberta Pereira de Paula Rodrigues e professo a fé Umbandista.
Venho aqui expressar minha indignação desencadeada pela vinheta sobre transmitida pelo canal de TV aberta denominado Record em onze de fevereiro de 2012 às 12:40.
A dita vinheta é apenas uma de uma série delas com o mesmo assunto: fé. Até então nenhuma delas havia me indignado, sobretudo por ser um material que transmite mensagens de fé em Deus, valor da família e reforma moral, sem estarem relacionadas diretamente com uma religião específica, apesar de todos sabermos publicamente que o presidente da Rede Record de televisão é um famoso sacerdote da religião Cristã Evangélica.
Porém, esta vinheta específica veiculada na data e horário mencionados, faz uma colocação bastante delicada, pois incita o preconceito por uma religião ao usar o nome da mesma relacionando-a a problemas de alcoolismo.
Tentarei agora descrever a vinheta em questão.
Primeiramente um homem de meia idade começa a relatar problemas com alcoolismo passados por ele, e durante este relato diz com estas palavras: “eu tinha probrema de espiritismo1”. No fim do seu relato conta que a “igreja” (entende-se Evangélica) foi o lugar que o ajudou a se recuperar ao apresentá-lo a Jesus.
Gostaria de registrar aqui minha opinião a favor da reforma moral apoiada na ajuda de uma religião. Quando a Igreja Evangélica consegue promover a libertação do vício da bebida, drogas ou crime em indivíduos, temos aí algo realmente louvável. No entanto não podemos esquecer que esta mesma libertação também pode acontecer pelo trabalho desenvolvido por outras religiões e até mesmo por grupos de apoio social com ou sem orientação doutrinária religiosa.
Com isso quero dizer que da mesma forma que acredito que a reforma moral não pode ser atribuída à religião A ou B, um problema como o vício do alcoolismo não pode ser veiculado em rede nacional, principalmente em uma emissora de tv tão popular como a Rede Record, como algo ligado à religião conhecida como Espiritismo.
Aproveito para convidar a todos que leem este texto a uma rápida reflexão sobre a frase proferida na vinheta.
Inicialmente o que nos chama à atenção é a pronúncia da palavra problema. Esse equívoco de pronúncia é comumente observado em populações carentes que não tiveram muita oportunidade de acesso a ambientes de leitura e estudo da língua portuguesa em sua norma culta. Não quero aqui proferir qualquer juízo de valor, até porque minha própria mãe pronunciava algumas palavras assim, que foram, com o tempo, corrigidas por duas filhas formadas em nível superior, com paciência e amor. Porém é fato que minha mãe não teve oportunidade de terminar o ensino fundamental e não gosta de ler. Com isso podemos concluir que ele próprio não possui conhecimento básico do que vem a ser o Espiritismo.
Outro detalhe que chama à atenção é a colocação sobre o causador do problema. É bastante estranho alguém atribuir um problema a uma religião em si. Seria difícil imaginarmos alguém dizendo que tem problema de Cristianismo, ou de Budismo por exemplo. Pessoas não têm problemas de religião, mas podem ter problemas com algumas doutrinas ou filosofias relacionadas a algumas religiões. Neste momento passo até a crer que esta pessoa estava querendo afirmar que teve problemas espirituais e não de Espiritismo.
O fato de termos uma pessoa com pouca cultura, e praticamente nenhum conhecimento do que realmente seja o Espiritismo na televisão de milhares de lares brasileiros proferindo tais palavras e incitando maior preconceito nas tantas faixas sociais que assistem a Rede Record é algo abominável. Contudo ainda mais abominável é o fato de que são pessoas com cultura aprofundada as responsáveis por produzir, editar e colocar no ar tamanha atrocidade.
Deixo, portanto, registrada nesta carta/texto minha indignação e meu desejo que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa possa, através de seus representantes, tomar providências acerca deste caso. E, como forma de propagação desta notícia, compartilho meus pontos de vista com irmãos de fé através de blogs Umbandistas, também deixando claro que o assunto diz respeito a todas as religiões e à sociedade em geral.



1“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”   Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo – cap. VI – 4)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Iemanjá

Iemanjá


Nossa Senhora dos Navegantes (Nossa Senhora das Candeias)
Consta que o início da devoção à Nossa Senhora dos Navegantes originou-se na Idade Média por ocasião das Cruzadas, quando os cristãos invocavam a proteção de Maria Santíssima. Sob o título de "Estrela do Mar", rogavam sua proteção os cruzados que faziam a travessia pelo Mar Mediterrâneo em direção à Palestina.
É a padroeira não só dos navegantes, mas também de todos os viajantes. Tal tradição foi mantida entre os marítimos e foi difundida pelos navegadores portugueses e espanhóis, disseminando-se entre os pescadores litorâneos principalmente nas terras colonizadas pela Espanha e Portugal. As conseqüências foram a multiplicação de capelas, igrejas e santuários nas regiões pesqueiras, particularmente no Sul do Brasil, onde a concentração de cidades que a veneram como padroeira é significativamente expressiva.
A estátua de Nossa Senhora dos Navegantes foi trazida pelos portugueses no século XVIII,em uma das viagens feitas de Portugal para o Brasil. O dia do ano dedicado a Nossa Senhora dos Navegantes é 2 de fevereiro.
A designação Nossa Senhora dos Navegantes, originou-se no século XV, com a navegação dos europeus, especialmente dos portugueses.
Aqueles que viajavam, pediam proteção à Nossa Senhora, para retornarem salvos à pátria.
O simbolismo da mulher corajosa e orientadora dos viajantes, fez com que Maria fosse vista como uma eterna vencedora dos inimigos das tempestades.
Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial no Brasil.
Também conhecida pelos devotos como festa de Nossa Senhora das Candeias é comemorada desde o século IV, substituindo os ritos pré-cristãos da fertilidade.
Candeias são pequenos aparelhos de iluminação, suspensos por um prego, com recipientes de folha-de-flandres, barro, ou outro material, abastecidos com óleo, no qual se embebe uma torcida.
Segundo a lei mosaica, todo filho varão deve ser apresentado no Templo após quarenta dias do seu nascimento, onde a mãe é submetida a um ritual de purificação.Nossa Senhora se submeteu a essa lei, apresentando o menino Jesus no Templo Sagrado.
Esta festividade dos luzeiros foi denominada "Candeias", porque ainda hoje percorre-se o caminho que Maria fez até o Templo. Os fiéis seguem em procissão, levando nas mãos velas acessas.
Nossa Senhora das Candeias é a padroeira dos alfaiates e das costureiras.



Oração a Nossa Senhora dos Navegantes

Ó Nossa Senhora dos Navegantes,
Mãe de Deus,
Criador do céu, da terra, dos rios, dos lagos e dos mares.
Protegei-me em todas as minhas viagens,
Dos ventos, tempestades, borrascas,
Raios e ressacas para que não perturbem minha viagem,
E que nenhum incidente ou imprevisto cause alteração,
Ou atrase a minha viagem,
Nem me desvie da rota traçada.
Virgem Maria,
Senhora dos Navegantes,
Minha vida é uma travessia de um mar turbulento.
As tentações, os fracassos e as desilusões
São ondas impetuosas,
Que ameaçam afundar minha frágil embarcação
No abismo do desânimo e do desespero.
Nossa Senhora dos Navegantes,
Nas horas de perigo eu penso em vós.
O medo desaparece,
O ânimo, a disposição de lutar
E de vencer fortalecem-me.
Com a vossa proteção e a bênção de seu filho.
A embarcação da minha vida há de ancorar segura
E tranqüila no porto da eternidade.
Nossa Senhora dos Navegantes,
Rogai por nós,
Amém.



                                                  Iemanjá

Iemanjá (yemanjá), a Rainha do Mar, mãe de quase todos os orixás, é exaltada por negros e brancos. Iemanjá, possui vários nomes: sereia do mar, princesa do mar, rainha do mar, Inaé, Mucunã, Dandalunda, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá, Sereia, Maria, Dona Iemanjá; dependendo de cada região, mas sua origem vem da África. "A Iemanjá brasileira é resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos".
"Afrodite brasileira", Iemanjá é a padroeira dos amores e muito solicitada em casos de desafetos, paixões conflituosas, desejos de vinganças, tudo pode ser conseguido caso ela consinta. Iemanjá exerce fascínio nos homens, sua beleza é o esteriótipo da beleza feminina: Longos cabelos negros, feições delicadas, corpo escultural e muito vaidosa.
Têm poderes sobre todos aqueles que entram em seu domínio, o mar. Venerada e respeitada por pescadores e todos aqueles que vivem no mar, pois a vida dessas pessoas estão em suas mãos, segunda a lenda é ela quem decide o destino das pessoas que adentram seu império: enseadas, golfos e baías. Dona de poderes, a tranquilidade do mar ou as tempestades estão sob o seu domínio.
No sincretismo religioso, Iemanjá tem identidade correspondente a outros santos, como na igreja católica é Nossa Senhora de Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade e a Virgem Maria.
Em cada lugar do Brasil Iemanjá é festejada, mas as datas diferem de um lugar para outro. No Rio de Janeiro seu culto é festejado no dia 31 de Dezembro, junto à passagem de ano, onde os devotos oferecem oferendas: Velas, espelhos, pentes, flores, sabonetes e perfumes... na esperança de que ela leve todas as tristezas, problemas e aflições para o fundo do mar e traga dias melhores. Na Bahia sua data é comemorada no dia de Nossa Senhora das Candeias, 2 de fevereiro. Venerada nos Candomblés da Bahia, recebe muitas homenagens e oferendas.
Iemanjá também é conhecida como deusa lunar, rege os ciclos da natureza que estão ligados a água e caracteriza a "Mudança", na qual toda mulher é submetida devido a influência dos ciclos da lua.
Mãe de quase todos os órixas, é a deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional.
Casada com Oxalá, Iemanjá é o arquétipo da maternidade. Outras vezes Iemanjá continua bela, mas pode apresentar-se como a Iara, metade mulher, metade peixe, as sereias dos candomblés do caboclo.
Nota: Em Cuba, Yemayá também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria como santa padroeira dos portos de Havana.

          MITOLOGIA - LENDA (Arthur Ramos)

Com o casamento de Obatalá, o Céu, com Odudua, a Terra, que se iniciam as peripécias dos deuses africanos. Dessa união nasceram Aganju, a Terra, e Iemanjá (yeye ma ajá = mãe cujos filhos são peixes), a Água. Como em outras antigas mitologias, a terra e a água se unem. Iemanjá desposa o seu irmão Aganju e tem um filho, Orungã.
Orungã, o Édipo africano, representante de um motivo universal, apaixona-se por sua mãe, que procura fugir de seus ímpetos arrebatados. Mas Orungã não pode renunciar àquela paixão insopitável. Aproveita-se, certo dia, da ausência de Aganju, o pai, e decide-se a violentar Iemanjá. Essa foge e põe-se a correr, perseguida por Orungã. Ia esse quase alcançá-la quando Iemanjá cai no chão, de costas e morre. Imediatamente seu corpo começa a dilatar-se. Dos enormes seios brotaram duas correntes de água que se reúnem mais adiante até formar um grande lago. E do ventre desmesurado, que se rompe, nascem os seguintes deuses: Dadá, deus dos vegetais; Xango, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa do rio Niger; Oxum, deusa do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Orixá Okô, deusa da agricultura; Oxóssi, deus dos caçadores; Oké, deus dos montes; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã (Shankpannã), deus da varíola; Orum, o Sol; Oxu, a Lua.
Os orixás que sobreviveram no Brasil foram: Obatalá (Oxalá), Iemanjá (por extensão, outras deusas-mães) e Xango (por extensão, os outros orixás fálicos).
Com Iemanjá, vieram mais dois orixás yorubanos, Oxum e Anamburucu (Nanamburucu). Em nosso país houve uma forte confluência mítica: com as Deusas-Mães, sereias do paganismo supérstite europeu, as Nossas Senhoras católicas, as iaras ameríndias.
A Lenda tem um simbolismo muito significativo, contando-nos que da reunião de Obatalá e Odudua (fundaram o Aiê, o "mundo em forma"), surgiu uma poderosa energia, ligada desde o princípio ao elemento líquido. Esse Poder ficou conhecido pelo nome de Iemanjá.
Durante os milhões de anos que se seguiram, antigas e novas divindades foram unindo-se à famosa Orixá das águas, como foi o caso de Omolu, que era filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá.
Antes disso, Iemanjá dedicava-se à criação de peixes e ornamentos aquáticos, vivendo em um rio que levava seu nome e banhava as terras da nação de Egbá.
Quando convocada pelos soberanos, Iemanjá foi até o rio Ogun e de lá partiu para o centro de Aiê para receber seu emblema de autoridade: o abebé (leque prateado em forma de peixe com o cabo a partir da cauda), uma insígnia real que lhe conferiu amplo poder de atuar sobre todos os rios, mares, e oceanos e também dos leitos onde as massas de águas se assentam e se acomodam.
Obatalá e Odudua, seus pais, estavam presentes no cerimonial e orgulhosos pela força e vigor da filha, ofereceram para a nova Majestade das Águas, uma jóia de significativo valor: a Lua, um corpo celeste de existência solitária que buscava companhia. Agradecida aos pais, Iemanjá nunca mais retirou de seu dedo mínimo o mágico e resplandecente adorno de quatro faces. A Lua, por sua vez, adorou a companhia real, mas continuou seu caminho, ora crescente, ora minguante..., mas sempre cheia de amor para ofertar.
A bondosa mãe Iemanjá, adorava dar presentes e ofereceu para Oiá o rio Níger com sua embocadura de nove vertentes; para Oxum, dona das minas de ouro, deu o rio Oxum; para Ogum o direito de fazer encantamentos em todas as praias, rios e lagos, apelidando-o de Ogum-Beira-mar, Ogum-Sete-ondas entre outros.
Muitos foram os lagos e rios presenteados pela mãe Iemanjá a seus filhos, mas quanto mais ofertava, mais recebia de volta. Aqui se subtrai o ensinamento de que "é dando que se recebe".
Fonte: Deusa Iemanjá
Meu respeito e admiração pela cultura e a crença.
Saudação à Iemanjá, a Rainha do Mar: Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba!


Iemanjá

Significado: iya; mãe. Omo; filho. Eja, peixe
Dia da semana: Sábado
Cores: branco e azul (cristal translúcido)
Saudação: O doiá! (odo, rio)
Elemento: água
Domínio: mar, água salgada
Instrumento: abebê (espelho)
Iemanjá é proveniente de uma nação chamada Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o mesmo nome deste orixá.
Ela seria filha de Olokum (mar) e mãe da maioria dos Orixás. Sua cor é branca, associada ao orixá Oxalá e juntos teriam feito a criação do mundo.
Na África, Iemanjá é associada à fertilidade e fecundidade.
Nas danças míticas, seus iniciados imitam o movimento das ondas executando curiosos gestos, ora como se estivessem nadan¬do no mar, abrindo os braços, ora levando as mãos à testa e ele¬vando-as ao céu, indicando as variações das ondas do mar.
Iemanjá segura um leque de metal e um espelho. Tem diversos nomes (ou qualidades) referentes à diversidade e às diferentes profundidades dos trechos do rio "Yemoja".
Iemanjá representa a criação efetivada. O seu leque, chamado abebê, tem em seu centro um recorte, onde surge o desenho de uma sereia. Em outros modelos deste apetrecho, constam a lua e a estrela.
Complacente e pródiga, é responsável pela pescaria farta, além da vida com abundância de alimentos. Ela não lembra a volúpia das sereias das lendas européias ou a Iara dos mitos indígenas, mas é representada e cultuada com muito respeito, pois é a mãe da criação.

         Salve Iemanjá, Rainha do Mar...
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