domingo, 22 de abril de 2012

Dia 23 de Abril - Dia de São Jorge - Ogum na Umbanda!!! Ogunhê!!!!

Imagem: Tela original de Raffaello Sanzio (*1483 Urbino;†1520 Roma), produzido em 1505-6, que encontra-se na National Gallery of Art  em Washington-DC


Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe após a morte de seu pai. Lá foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade - qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções.

Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE.

O tal cônsul, não satisfeito, quis saber:

"O QUE É A VERDADE?"

 Jorge respondeu:

"A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da verdade."

Bem... Assista aos Vídeos com a História de São Jorge, narrada por Pedro Bial...

 



Oração a São Jorge
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo. 

São Jorge Rogai por Nós...

Assim Seja! 






Hoje é Dia de Ogum na Umbanda!
Dia 23 de Abril. Dia de São Jorge.
Saravá Ogum! Ogunhê!

Ogum, na Umbanda, representa uma das forças da natureza oriundas de Deus, que se manifesta na forma de energia ligada à perseverança, à coragem de vencer demandas, atuando na defesa de toda a natureza, sendo executor da Lei. Sua energia está em todos os lugares.

Por vir representado pelos seus falangeiros, como energia vibrante e enérgica, Ogum é símbolo de atividade, de trabalho, de vigor, de possibilidade de a criatura humana buscar na natureza os recursos para vencer suas fronteiras, físicas e espirituais, revitalizando ou descobrindo sua energia vital, às vezes, nem sempre conhecida pelo indivíduo.

Os pontos cantados para louvar Ogum trazem também essa energia, todos eles ressaltando suas qualidades de bravo guerreiro e vencedor de demandas. É comum vermos nos pontos cantados para Ogum a junção dos vários elementos da natureza sendo louvados quando invocamos seus falangeiros.

Quando o filho de fé invoca o Orixá Ogum, está invocando forças que o levem a lutar e vencer sobre as forças que o querem levar ao declínio, agindo a energia de Ogum como elemento revitalizador que possibilita sua ascensão, sua conquista ao fim desejado. Assim como Oxalá, Ogum também é força, é misericórdia, é socorro.

Ogum vibra sua energia nos Caminhos, nas entradas, sempre vigilante, aplicando a Lei Divina com rigidez e firmeza, conforme a atitude daquele que o leva a agir.

Os falangeiros de Ogum são representados por espíritos guerreiros, de soldados, daí também, advir o sincretismo desse Orixá com São Jorge, no Rio de Janeiro, comemorando-se seu dia em 23 de abril. Na verdade, compara-se Ogum a São Jorge pelas características desse Santo Guerreiro do catolicismo: São Jorge veste uma armadura de guerra e monta um cavalo branco. Utiliza a lança e a espada para vencer o dragão, que no caso de Ogum, traz o simbolismo de que através da sua coragem e destemor, sua energia é capaz de trazer a proteção necessária para o combate às forças do Astral Inferior, e o dragão representaria a alegoria de que as forças dos espíritos trevosos e obsessores não são capazes de vencer e derrubar seus filhos.

A força de Ogum é representada por sua espada, sua lança, seu escudo (“Ogum quando vem lá de Aruanda, traz uma espada, e uma lança na mão...”), e através do metal de sua espada, Ogum corta o mal e vence demanda do filho que a ele roga sua benção e proteção, mobilizando toda a sua energia para esse caminho.

Ogum atua com todos os elementos naturais, Ar, Fogo, Água, Terra e, por não ter elemento da natureza específico no qual estabelece sua vibração, Ogum atua em todos eles em conjunto com os demais Orixás, trazendo seus falangeiros características dessa vibração de Ogum com a vibração do Orixá que rege outro campo vibratório da Natureza.

Dessa forma encontramos os desdobramentos da energia do Orixá Ogum, sendo que os mais conhecidos são:

- Ogum Megê - Trabalha em harmonia com Omulu, na entrada da calunga pequena - cemitério.

- Ogum Rompe-Mato - Trabalha em harmonia completa com Oxossi, na entrada da Mata. Podendo ser cultuado tanto na terça-feira, dia de Ogum, quanto na quinta-feira, dia de Oxossi.

- Ogum Beira-mar - Trabalha na orla marítima em harmonia com Iansã e Iemanjá

- Ogum Iara - Trabalha na cachoeira em harmonia com Oxum

- Ogum de Lei - Trabalha com as Almas em harmonia com Xangô, Omulu, Oxum e Ogum Iara.
  
Não se pode deixar de citar, ainda, que dentro desses desdobramentos, encontram-se os desdobramentos destes chefes de linha, como no caso do Ogum Sete Ondas que vem a ser o desdobramento da vibração de Ogum Beira-Mar. E, por conseguinte, os desdobramentos do próprio Ogum Sete Ondas, em Ogum Sete Ondas do Fundo do Mar, da Beira da Praia etc.

Ogum é responsável pelos caminhos. Se Exu é aquele que abre caminhos, o faz em nome de Ogum, que estabelece a ligação entre os diferentes locais, determinando a atuação de Exu. Por isso mesmo, abrem-se as giras de Exu nos terreiros de Umbanda, pedindo licença à Ogum.

Esse tão valente protetor do nosso dia-a-dia, a quem sempre invocamos força para vencer nossas demandas, usando seu escudo para proteção contra toda energia ruim ou que pretenda atrasar nossos caminhos. Ogum, que sua luz, que sua energia revigorante e divina recaia sobre os filhos que crêem na tua força, com as bênçãos de nosso Pai Oxalá.

Ogunhê, Salve Ogum, Cavaleiro de Umbanda!


Fonte: Genuína Umbanda




Pai Ogum - A Lei, A Ordem
       
Tudo é regido por uma Lei imutável, a Lei do Criador, a ordem das coisas em todos os planos da vida e em todos os níveis conscienciais. Nas esferas superiores da Luz, há lei, ordem e harmonia e essa Lei dá os parâmetros, para o nosso equilíbrio, evolução e vida  no meio que nos acolhe. Lei é ordem das coisas em todos os planos da vida e em todos os níveis conscienciais e a Lei Divina é a Lei Maior, que rege  tudo e a todos conduz, na sua senda evolutiva. A Lei da Umbanda é essa Lei de Deus, justa e poderosa. As outras leis estão dentro dela: carma, reencarnação, causa e efeito, afinidades. A Lei Maior é o campo de atuação de Pai Ogum, que ordena os procedimentos, os processos e as normas ditados pelo Divino Criador, anulando tudo o que estiver em desacordo com ela.  Essa força que ordena tudo e todos está presente tanto na estrutura de um átomo, como na estrutura do Universo. É a Lei Divina em ação.

No estágio humano, nossa vida precisa ter sentidos a guiá-la, para adquirirmos equilíbrio, fortalecimento de nossa crença, firmeza nos princípios que nos regem e no  sentimento de amor pelo Criador e por sua criação. Nossa Lei não é dualista, ela não diz que "podemos fazer o bem com a direita e o mal com a esquerda". Só podemos fazer o bem. Muitos direcionam a maior parte de seu potencial humano na busca da satisfação mundana (materialista) e se esquecem que a vida tem sentidos superiores, êxtases verdadeiros. É preciso desenvolvermos a consciência e o virtuosismo, para sermos conduzidos de volta ao Todo, num estágio superior de evolução. Virtuosismo é  colocarmo-nos em equilíbrio perante as leis que regem toda a criação, vivenciando Deus em nós mesmos, com fé, amor, razão, lei, equilíbrio, conhecimento, sabedoria e preservação. Virtuosismo é desenvolvermos os nossos dons,  para nos tornarmos auxiliares diretos da Lei Maior, no socorro aos semelhantes, cumprindo nossas obrigações para com Deus e sua Lei. Os seres desequilibrados ou desregrados perecem diante da Lei Maior, que age através de Pai Ogum.

Desequilibrados são os espíritos que se desvirtuaram ou se viciaram emocionalmente, anulando sua razão e capacidade de raciocínio. Como ninguém se desequilibra por si mesmo, atrás de um desequilibrado estão outros. No momento da morte, o espírito desvirtuado automaticamente é atraído para as esferas cósmicas negativas, desprovidas de luz (trevas). Aí, sofre alterações em seu corpo espiritual, tornando-se irreconhecível, com aparência desumana. As trevas aparentam ser um inferno, mas é o melhor que a Lei pode fazer pelos desequilibrados e desregrados, pois seus magnetismos negativos não permitem sua condução para a luz, pois nela não se sustentariam. Um ser humano só sai da prisão das trevas se clamar, de coração e arrependido, pela ajuda de Deus. Isto é a Lei. E Pai Ogum é a divindade que aplica a Lei Maior em tudo e a todos; ele é o comandante das milícias celestes, sempre vigilante e marcial, pronto a agir, anulando tudo o que for oposto a ela.!

Pai Ogum Maior é sinônimo de Lei Maior, Ordenação Divina e retidão, porque é gerado na qualidade eólica, ordenadora, do Divino Criador. Como ordenação divina, age apenas como energia, tanto atrativa como repulsiva, ordenando desde a estrutura de um átomo até a estrutura do Universo. Seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão, a emoção e a ordenação dos processos e procedimentos. É o senhor do movimento, o senhor dos caminhos e das estradas, o senhor que quebra as demandas, que arrebenta as amarras e nos liberta. Ele faz nossa vida se movimentar e, como bom ordenador, coloca as nossas prioridades à frente, na hora certa. Ele é a divindade que aplica a Lei Maior, é o regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos. É a divindade que aplica a Lei Maior. Ele ordena a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a evolução e a geração. Por isso, está em todas as outras qualidades divinas.

  • Ogum é chamado de “Senhor das Demandas"

É o guardião do ponto de força que mantém o equilíbrio entre o que está no alto e o que está em baixo, o positivo e o negativo, a Luz e as Trevas, a paz e as discórdias. Tudo no mundo gira em torno do equilíbrio entre Luz e Trevas, Bem e Mal, positivo e negativo, alto e baixo, direita e esquerda, etc. Se uma pessoa assume uma forma contemplativa de vida, está se colocando como mero observador do desenrolar do dia-a-dia da humanidade. Como não é possível nem aconselhável assumir tal postura, o melhor a fazer é procurar Ogum como nosso guia de viagem na senda da Luz. Ele sempre nos avisará quando sairmos da linha de equilíbrio que divide Luz e Trevas.

  • Ogum é o Senhor dos Caminhos – das direções

Os caminhos  são  o  ponto  de forças, os santuários naturais de Pai Ogum. Por caminhos devemos entender as vias evolutivas, a evolução dos espíritos. Pai Ogum é o  vigilante  do  caminho  daqueles  que  empreenderam  sua caminhada pela senda da Luz, mas, vigia tanto os caminhos para cima como para baixo. Ele é como um escudo protetor e luta para não deixar cair quem ele está protegendo. Se procurarmos Ogum como nosso guia de viagem na senda da Luz, ele sempre nos avisará quando sairmos da linha de equilíbrio que divide Luz e Trevas. Quando auxiliamos, temos Ogum atrás para nos guardar, porém, quando odiamos, temos Ogum à nossa frente para nos bloquear.

  • Ogum também é um Executor do carma

Pai Ogum vigia a execução dos carmas e tem sob suas ordens tanto a Luz como as Trevas. Como guardião do ponto de força do equilíbrio, comanda as entidades atuantes no nosso plano como agentes cármicos, ou seja, os Exus de Lei da Umbanda.

  • Ogum é um Guardião do Ponto de Força da Lei

Nessa função, Ogum abrange a todos e tudo o que alguém fizer envolvendo magia ou ocultismo será anotado por ele, para posterior julgamento junto ao Senhor da Lei, que é Deus.

  • Ogum é um aplicador religioso da Lei Maior

Basta  sairmos  do  caminho  reto,  para  sermos tolhidos pelas suas irradiações retas e cortantes. Suas irradiações retas são simbolizadas por suas "Sete Lanças"; as cortantes são simbolizadas pelas "Sete Espadas"e sua proteção legal é simbolizada pelos seus "Sete Escudos". Quando a Lei quer recompensar, é Ogum quem dá, mas, quando quer cobrar, é seu lado negativo quem executa. Quando caminhamos rumo à Luz, Ogum está à nossa direita; quando rumamos para as trevas, ele apenas inverte sua posição, mas não o lado. Portanto, ele estará à nossa esquerda, anotando sentimentos e atitudes condenáveis".

(*) – In: Manual Doutrinário, Ritualístico e Comportamental Umbandista Lurdes de Campos Vieira (Coord.) – Madras Ed.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desenvolver Mediunidade


Meus filhos!

Oxalá os abençoe!

Observamos que na prática do Terreiro os filhos desejam muito aprender uma técnica eficaz e rápida de como possa melhor desenvolver a mediunidade e por essa razão vamos aqui repassar algumas formas para melhor desenvolve-la:

Desenvolver mediunidade é muito mais que saber entrar em contato com os espíritos ou entidades que formam a banda de cada filho ou permitir que outras sejam esclarecidas por meio da incorporação nas giras e sessões do Terreiro;

Desenvolver mediunidade é desenvolver a si mesmo. É desenvolver sentimento. É trabalhar o rico material espiritual que cada médium possui dentro de si;

Desenvolver mediunidade é silenciar ante a injúria e violência proposital que lhe chega por parte de alguns, porém profundamente educadora desde que observado o ser doente que a lançou contra o outro;

Desenvolver mediunidade é saber colocar esse sexto sentido a favor do bem e do próximo. E para isso todo médium conta com os demais sentidos físicos que por hora estão no corpo humano;

Desenvolver mediunidade é ficar feliz com a vitória íntima do irmão da corrente que está tendo mais confiança e segurança no seu trabalho como aparelhinho de Umbanda;

Desenvolver mediunidade não é sair propagando suas aptidões mediúnicas aos quatros ventos sem saber o verdadeiro valor delas nas descobertas de si próprio;

Desenvolver mediunidade é esforço continuado que não se revela em um só dia ou gira. Muitas vezes leva anos;

Desenvolver mediunidade é saber enxergar muito além do véu de Ísis; mas, é saber enxergasse;

Desenvolver mediunidade não é entender seus mecanismos única e exclusivamente de forma teórica; mas, é sentir as nuances que cada fenômeno propicia em vossas existências;

Desenvolver mediunidade é saber captar as vibrações das energias Orixás, guardando-as como cota extra para repassar no dia-a-dia aos carentes de amor e pão, aos desprovidos de esclarecimento;

Desenvolver mediunidade é exercício de doação e não de restrição;

Desenvolver mediunidade é crescer com a Casa que lhe acolhe, pois, ela é uma extensão de você mesmo;

Desenvolver mediunidade não é decorar o passo-a-passo de uma gira do início ao fim. Mas, é sentir e viver a gira levando consigo o bem-estar da mesma;

Desenvolver mediunidade não é só vestir o branco e estar no Terreiro na hora da sessão. Mas, é guardar o branco da Umbanda tendo o Terreiro em seu coração;

Desenvolver mediunidade é muito mais que querer conhecer seus Guias e Orixás. É permitir que eles lhes trabalhem a Alma;

       Desenvolver mediunidade é saber ler a vida na grafia indelével do Criador;

          Desenvolver mediunidade é saber colorir os dias com a tinta do amor e a pena da humildade.


Glória a Deus nas alturas,

Paz na Terra aos homens de boa vontade!


Paraguassú, um Caboclo em Terras Brasileiras - Em, 11/07/2008

quinta-feira, 29 de março de 2012

Caboclo Boiadeiro


São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda.

Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta.

Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins.

O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre tocando seu berrante para guiar o seu gado. Normalmente, eles fazem duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino mímico, lidando bravamente com os bois.

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo e cigarro de palha.

No Terreiro os Boiadeiros vêm “descendo em seus aparelhos” como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração.

Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência.Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus.

Quando o médium é mulher, freqüentemente, a entidade pede para que seja colocado um pano de cor, bem apertado, cobrindo o formato dos seios. Estes panos acabam, por vezes, como um identificador da entidade, e até da sua linha mais forte de atuação, pela sua cor ou composição de cores.

Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos.

Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, etc …

Sua saudação: “Getruá Boiadeiro”, “Xetro Marrumbaxêtro”

Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai.

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa.

É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações.

Sofreram preconceitos, como os “sem raça”, sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas.

Da mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.

O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro – habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens.

Enquanto os “caboclos índios” são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores.

Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).

Sobre Nossos Caboclos Boiadeiros

Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. Os Boiadeiros também são conhecidos como “Encantados”,pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em entidades especiais.

Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham muito próximos aos Exus.

Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade.

Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos.  Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com  a prática da magia na terra.

Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos).

Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.

Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros ”e no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus.

Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas.  São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium que ele goste.  “Gostar” para um boiadeiro, é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”.  Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.

Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles.

Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros.  Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo:  Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc…

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

 Getruá Boiadeiro! Salve!


Fonte: Internet

quarta-feira, 28 de março de 2012

Como Reconhecer uma Casa de Umbanda?


Podemos ter a Umbanda como a “Manifestação do espírito para a prática da caridade pura, e em todas as suas formas”, assim como disse o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Portanto, por essa definição visualizamos o verdadeiro sentido dessa religião.
As Casas, Tenda, Templos, Centros, Terreiros que tem a pura essência de Umbanda são aqueles:
· Onde se fala em Deus;

· Onde se prega a palavra e os ensinamentos de Jesus Cristo;

· Onde se fala da Filosofia e Doutrina Espírita ditada por Allan Kardec;

· Onde se pratica a Caridade; 
· Onde se dá valor a Simplicidade e Humildade;

· Onde não há cobrança, pois espíritos não precisam de dinheiro ou barganha; 

· Onde não há matança (corte) de animais, pois matar animais, que são filhos de Deus, não é fazer caridade e, matar um animal, perante Deus, é como matar qualquer ser humano;
· Onde se prega a Fé;

· Onde se prega o Amor;

· Onde se prega o Conhecimento;

· Onde se prega a Justiça;

· Onde se prega a Lei;

· Onde se prega a Evolução;

· Onde se prega a Vida.
Locais onde não se fala em Deus, Kardec, Jesus, onde há cobrança e matança (corte) de animais e onde são feitas coisas sem devido conhecimento, através da superstição, colocando o medo nas pessoas que freqüentam, esses locais não podem ser considerados detentores da Essência de Umbanda e devemos alertar para a sua periculosidade espiritual. Esses locais por terem baixo teor vibracional, tendem a ser freqüentados por pessoas e espíritos de baixa moral (já que semelhante atrai semelhante), devem ser evitados, com o risco de se ter, através das leis espirituais da “ação e reação” e do “Karma”, sérios danos às pessoas, não só no aspecto Financeiro, como Moral e Espiritual. Por isso... Cuidado! Estude, Conheça, Pesquise, se Informe...
  
Umbanda é Caridade, Umbanda é Paz, Umbanda é Amor!
Paz e Luz a todos os Umbandistas! Saravá!


* Estou muito longe de ser o dono da Verdade, e não quero ditar regras pra ninguém... mas continuo defendendo a Essência de nossa Querida, Amada e Sagrada Umbanda... Viva Umbanda!!!


Por Denis Sant'Ana.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Para que serve a Umbanda? Para que serve o Umbandista?

Para que serve a Umbanda? Para que serve o umbandista?


Algumas vezes já estive por aqui escrevendo sobre Umbanda. Como se escreve sobre Umbanda, não? Como se debate a Umbanda, como se diversifica a Umbanda, como se entrecruza e astraliza a Umbanda...
Mas, já paramos para pensar nos adeptos, frequentadores e fiéis? O que pensam ser a Umbanda? Eu, como umbandista praticante me vejo plenamente envolvido com minha religião, pronto para defende-la com unhas e dentes dos ataques preconceituosos de outras ditas religiões e de pseudos pesquisadores antropológicos que só querem enfraldar mais e mais suas teses, sem ter um mínimo de noção espiritual da mesma. Diga-se de passagem, essa defesa de unhas e dentes  não adensa tanto a vibratória a ponto de partirmos para confronto físico ou de linguagem xula, mas sim com a propriedade que o estudo da minha religião me deu, onde podemos, embasados numa fé racional, debatê-la sem perdermos o rebolado.
Mas, o mais complicado é lidarmos com nossos irmãos de fé. A Umbanda não tem uma unificação... Graças a Deus, pois o que apareceriam de candidatos ao papado na Umbanda seria sem fim.
Mas, por conta disso, há um bel prazer em sua prática que foge completamente a espinha dorsal colocada como pré-requisito pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas.
Essa espinha dorsal tem apenas 5 vértebras:
 . Vestir o branco → Vemos terreiros que mais se parecem com os antigos desfiles carnavalescos no Hotel Glória, onde Clóvis Bornay e Mauro Rosa conquistaram notoriedade nas festas do Momo, com suas criações de Libélula Ensandecidos no Alvorecer ou Pierrot Deslumbrado no Arco Íris de Isis...
. Usar os elementos da Natureza → É verdade, usam-se todos os elementos da Natureza possível, mas, atuando na Natureza “dificilmente” se encontra o bom senso que nos diz para não compactuarmos para a destruição da Natureza, emporcalhando todas as ruas, praias, matas e até portas de cemitérios que, já não basta a “sombriedade” local, o povo ainda tem que conviver com pipocas e afins. Penso, como também penso referente a mim, como deve ser desagradável para um católico, budista ou judeu ter que desviar de padês monumentais nas esquinas de nossa cidade.
. Não cobrar → Faz-me rir... Pois o que mais se vê por conta disso é cobrança... E tem lugares que dizem “não cobramos consultas”, mas na hora da dita consulta o “Guia” ou Pai/Mãe de Santo aparece com uma lista de trabalho homérica, cobrando, não pela consulta, mas pela feitura do tal trabalho e... Pasmem... Muitos ainda cobram o “chão” do lugar para o trabalho. É, sublocam a Casa de Deus... Isso se Ele não se mudou, ao ver o que fizeram com seu “imóvel”. Já dizia Jesus: “Vendilhões do Templo!” Isso sem contar sobre os “Ogãs Profissionais” que cobram para “baterem” tambor em determinadas casas que, coitadas, em véspera de uma Festa importante, gostariam de ter um Ogã em sua corrente para dar mais vibração e beleza ao ritual programado. Parece que o sujeito tá cobrando cachê: “Minha apresentação é tanto...”. Pior ainda é o nome que dão a isso: salva. Salva quem? Salve-nos, Senhor!
. Não matar → Pois é... Na véspera da Festa de Exu do Cruzeiro da Luz, estava eu descendo a Grajaú-Jacarepaguá e desconfiei que havia no seu final, já em Jacarepaguá, uma granja... Mas, descendo devagar, pude perceber que as 15 a 20 supostas galinhas que estava vendo, jaziam mortinhas dentro de um big alguidar de barro, com uma purinha ou uma cidra ao lado. É, menos um punhado de galinha no mundo... Fora os bodes, cabritos, pombos e afins. Mas isso não é matança não... O nome é sacrifício... Rs... Vai rindo, sacrifício? Jesus quer Misericórdia! E se é para matar alguma coisa, que seja, como o Apóstolo Paulo nos ensina: “matar o homem velho...”, oferendando-o ao Cristo para que, imolados pelo seu Infinito Amor,“...renasçamos homens novos”! Se essa fosse a matança seria maravilhoso... Pois mataríamos, sem dó nem piedade, todas as nossas iniquidades, mazelas, mal querências, mas essas, longe ainda da extinção, preservamos no cativeiro do coração e mente, procurando criá-las “in vitro”, perpetuando as espécies para que cada vez mais nos aprisionemos à roda das encarnações.
 . Evangelizar → Nossa! Esse é o desafio primevo de todo aquele que, mesmo que não totalmente desperto, já foi tocado pelas valorosas letras do legado do Cristo. Talvez seja esse o maior embate... De todas as religiões!... E o motivo único para que estas existam, pois evangelizar é religar o homem a Deus. Portanto, a religação se dá por meio da auto-evangelização e, por conseguinte, da evangelização. Por que auto-evangelização? Por que... Quem somos nós se não nos evangelizarmos? Apenas "macumbeiros". Apenas magistas de 5ª categoria. Apenas fantasistas sem lei e sem  juízo algum, radicados na senda do fanatismo religioso e na crendice mística dos fugidios da verdade que liberta. Daí a necessidade emergente de nos evangelizarmos... De criarmos em nós a nuance do amor notável de Deus, que se perdeu no elo do mundo, pois seduzidos pela bola azul esquecemos que quem a criou, a fez por um ato de amor único e restabelecedor deste amor nos corações dos habitantes dessa bola azul. E digo mais... Que espécie de médiuns somos ou seremos sem o evengelho? “Cegos guiando cegos”. Marionetes (não dos bons espíritos) fazendo receitas mágicas e indicando trabalhos e oferendas vãs, pois sem conteúdo algum, tornando-se atos mecanizados no afã de resolução de problemas. Problemas externos, da vida, do mundo, da matéria. Pois não evangelizado jamais conseguirá mergulhar na alma daquele que o busca e oferecer-lhe ajuda verdadeira. Dará paliativos apenas, criando um elo vicioso, onde quando terminada a validade da magia o “cliente” retorna para a renovação de seus “votos petitórios”. Como evangelizar se não conhecemos Jesus ainda? Se não nos tornamos íntimos do Mestre dos Mestres e permitimos que Ele faça, primeiro em nós, o milagre do retorno à origem genética divina, expurgando, gradativamente, o gene adquirido pelo mundo? É um trabalho diário que não se dá apenas nos dias de atividades dos Templos. É cotidiano. Sendo feita essa reflexão que deve sair do papel para a vida, vem o serviço desinteressado da evangelização. Aí sim, podemos evangelizar, apresentar Jesus às pessoas, citar suas palavras e convidarmos a seguirem, junto conosco, as suas pegadas, mediante seus ensinamentos eternos. Paulo diz que “evangelizar é preciso, quer desagrade, quer desagrade...”.
 Ué? Quer desagrade? Sim, infelizmente é verdade, pois esta, a verdade, ao mesmo tempo que liberta, faz doer. Dói porque somos fugidios, nos acovardamos, nos tornamos procrastinadores (hahaha...adorei essa! Adorei as Almas!), vendo o bem que queremos (mas nos julgamos diminutos) e fazemos o mal que não queremos (com a boca cheia d’água!). E quem gosta de ouvir da boca de outro que ainda é cheio de mazelas e totalmente imperfeito, sem pieguismo? Pois é... Mas, diz um grande amigo espiritual que a verdade dói apenas uma vez... Acabada a dor, estamos libertos. Enquanto que, fugindo da verdade, optando pela mentira, estamos fugindo dessa dor do parto libertador. Mal sabemos que fugir é uma dor, e muito mais dores e sofrimentos virão pela frente, pois a mentira e a fuga se tornam vício frenético...Ou seja, vamos ao Cristo:“conhecereis a Verdade e esta vos libertará”!
É triste vermos em Centros onde o propósito é levar as pessoas a essa libertação, vermos as mesmas pessoas tentando barganhar essa libertação, fugindo, se esgueirando, desviando-se das sementes do evangélico como um Matrix sombrio... É lamentável vermos um Guia lançar suas sementes e o solo que se encontra a sua frente rachar-se, como terra árida sob o sol, dizendo: “o senhor poderia ser mais sucinto, dizer logo o meu problema...e resolve-lo!”. Nem imagino o que o Guia deva sentir e pensar, pois meus degraus ainda não chegaram aos deles, uma vez que eu bem sei, no afã da emoção de uma partida de futebol eu “gostaria” de dizer... Aliás, imagino sim... Rs... Me lembrei de Jesus pregado à cruz: “Pai, perdoa-os...eles não sabem o que fazem”!... É o que fazem, o que dizem, o que pensam, o que comem,...
Contudo, diante desse pequenino relato, me coloco também reflexivo, pois esse exemplo vem de um “adepto” dos terreiros espalhados no “por aí” de meu Deus... Mas e o que pensam os que se encontram dentro desses mesmos terreiros, como trabalhadores desses terreiros? Será que, ouvindo isso, se chocarão e entrarão em prece para que a pessoa desperte para a realidade? Ou será que, vendo essa pressão do “resolve meu caso”, não se deixa levar pela falta de senso comum e se permite a permitir que essa pessoa ouça o que ela quer? Daí, surgem as invencionices e as adivinhações baratas... E joga-se um mediunato fora.
Então, voltando ao início, enquanto os próprios umbandistas crerem que a religião professada é uma quitanda de quebra galhos, nós nunca conseguiremos sermos olhados como religião e religiosos. Vamos ouvir: “O quê, sacerdote umbandista? O que é isso? Só conheço Pai e Mãe de Santo!... lá no teu centro é assim”? Isso quando não nos chamam de seita... Ou palavrinha que me entristece, pois dá uma sensação de bruxaria, de feitiçaria, de fundo de porão, cozinhando asa de morcego e orelha de rato.
É como diz um Guia Espiritual do Templo: “Enquanto lutamos tanto para elevar o tônus vibratório – evangelizar e libertar – há um mercado paralelo dentro da religião que insiste em que cresçamos como rabo de cavalo... Para baixo”!
 E baseado nesse mercado paralelo penso, pois sou produto do meio (a diferença é buscarmos nos situar no meio certo desse meio), qual o motivo de sua existência? Preguiça? Vaidades? “Obtusismo”... Rs? Carências? Falta de estudo, doutrina? Ou será que também veem a Umbanda como uma enorme quitanda, pronta para preencher as dispensas quando falta açúcar, café ou leite?... Daí, vamos à quitanda! Será que pensam que os Mentores são os chamados “santos” que damos de comer e pronto, eles ou resolvem nossos problemas ou se acalmam, nessa ininterrupta barganha entre o mau e o mal.
Toda a beleza da Umbanda cai por terra quando vemos desorganização. Quando vemos indisciplina, quando vemos falta de estudo e doutrina. Quando vemos falta de religiosidade. A Umbanda é religião e não um mercado persa! A Umbanda é o Conjunto das Leis de Deus e não um conjunto de pagode! A Umbanda, como disse o Caboclo das 7 Encruzilhadas, “é a manifestação do espírito para a caridade” e não para trazer a pessoa amada em 1 hora e meia, muito menos dar emprego pra todo mundo.
Ouvirmos pessoas dizerem que vão à missa e a centros kardecistas para ouvirem palestras e se postam diante do guia para pedir, entristece a alma. Pensamos assim: “pobre pessoa perturbada...”! Desculpem-me, mas perturbados somos nós! Perturbados e comprometidos até os dentes perispirituais porque oferecemos, seja quem foi ou onde foi, em algum momento, um motivo para que essas pessoas pensassem que a Umbanda presta é para isso: resolução de problemas ou vermos se se tem “algo feito” ou obsessor. Talvez por isso que ouçamos pessoas dizerem para um Exu, que está ali exaustivamente tentando evangelizar a pessoa: “se o sr. me ajudar, vou rezar pro sr. ter luz e deixar de ser Exu”! ... O melhor de tudo foi o Exu rir e na Gira seguinte ele dizer para a mesma pessoa que a reza dela estava fraca, pois ele “continuava Exu”... Só fazendo graça mesmo, pois o que de graça recebemos, de graça, com gosto e amor devemos dar!
 A culpa é desses fiéis, desses neófitos da religação com Deus? Ou de quem os ensinou ou os viciou a serem assim, a procurarem as Casas Umbandistas atrás desses tipos de conchavo? E quem lhes viciou são que tipo de pessoas? São adeptos de quais religiões? Óbvio que aprenderam isso dentro dos nossos terreiros! E se aprenderam isso em nossos terreiros, pertencem aos nossos terreiros, são umbandistas (embora quando pense nisso, logo me lembre do Capitão Nascimento, de Tropa de Elite: “Nunca serão!”)! Mas, para fazerem isso, alguém, um dia, abriu um precedente, um favorecimento, uma permissividade, um clientelismo.
A Umbanda evangeliza, liberta, desinstala da ignorância, descongela as mentes submersas na obscuridade da ignorância,... Mas falta o umbandista “praticante” ter idéia do que é isso. Falta ele acreditar que a religião dele é uma religião e que ele não faz obrigação ou cumpre carma. Falta ele saber que tudo que se faz dentro de um Templo Umbandista é um ato de amor e, por conta disso, ele precisa estar amando e se amando, como Jesus nos ama... Óbvio, guardada as devidas proporções... Rs... Mas Ele é o modelo a ser seguido, por isso, proporções uma vírgula! Busquemos sim, viver no amor de Jesus e amar como Ele amaria. Se não dá... Tá distante de compreendê-lo, Paulo tá aí dizendo: “sede meus imitadores como eu sou do Cristo”.
Mas Paulo é Guia? Não é Caboclo, Preto Velho, Exu ou Criança, diria o “aficcionado” pela letra que mata, aproveitando também para matar o espírito que vivifica.
É, umbandistas, se ainda pensamos que nossos Caboclos são Pataxós, Xavantes ou Cherokees; ou que Pai Joaquim era aparentado do Zumbi dos Palmares; Malandrinho mora na Lapa; ou que Pedrinho da Praia é uma criança por que morreu afogado numa Colônia de Férias na praia do Leme... Estamos muito bem servidos de fantasias, superstições e crendices! E pior... O que ofereceremos para as pessoas que batem às nossas portas? Mentiras, vaidades e grilhões?
Vale lembrar de Jesus... Sempre: “a quem muito é dado, muito será cobrado”! ou seja, seremos chamados para prestarmos conta do que ensinamos, das libertações que auxiliamos Jesus a fazer, enfim... De toda a nossa colheita, afinal a semeadura é livre, mas a colheita é e será sempre obrigatória.
Ah, como seria bom se cada um de nós umbandistas conseguíssemos contrariar a estatística que André Luiz fez um dia, em sua literatura sobre os médiuns em geral, dizendo que o Umbral está repleto de médiuns fracassados! Fracassados por violarem seus compromissos de levar à humanidade a palavra libertadora e rediviva de Jesus.
Não, infelizmente ficam sedimentando na cabeça das pessoas que devemos morar em Nosso Lar, Lar de Celina, Aruanda e etc... Quando essas “localidades” devem ser, no peito do espírito arfante de crescer e ser liberto, locais de passagem apenas. Dure essa passagem o tempo que precisar, mas que não ousemos pensar nelas como tenda permanente. Seria pensar pequeno. E pequeno é tudo que Deus não é.
Aí, como o Apóstolo dos Gentios em sua Epístola a Timóteo, poderemos dizer aquelas tão lindas palavras, um cântico do dever cumprido e a Graça alcançada por essa Graça ter nos bastado ao longo da vida, quando morremos homens velhos e renascemos homens novos...
 ... “Combati o bom combate, encerrei minha carreira, guardei a fé... Só me resta agora receber a coroa da justiça! Do justo juiz, o Senhor Jesus”!
Ah, como quero poder dizer isso um dia... Eu, um foguinho...
 Saravá, Jesus!
Pai Julio (Pai Pequeno do T.E. Cruzeiro da Luz )
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